Pesquisa da Universidade da Califórnia revela que reduzir drasticamente o consumo de alimentos ultraprocessados resultou em melhora significativa nos sintomas de depressão e ansiedade em participantes com diagnóstico clínico.
Um pequeno ensaio clínico realizado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Francisco, encontrou melhora nos sintomas de depressão e ansiedade depois que pessoas com depressão reduziram drasticamente o consumo de alimentos ultraprocessados.
- O estudo envolveu 20 participantes que alternaram entre suas dietas normais e uma dieta com até 85% a menos de ultraprocessados.
- A pesquisa foi publicada no periódico científico Jama Psychiatry nesta quarta-feira.
- Os participantes tiveram uma queda considerável nas pontuações de depressão e ansiedade ao seguir a dieta mais limpa.
- Cerca de dois terços dos voluntários já faziam uso de medicamentos psiquiátricos ou terapia no momento da pesquisa.
- A causa exata da melhora não foi identificada, mas pode estar relacionada à redução de açúcares, gorduras ou aditivos artificiais.
Método de Estudo e Participantes
Durante o estudo, os 20 participantes mudaram entre suas dietas normais, como comem no dia a dia, e uma dieta com redução de até 85% no consumo de alimentos considerados ultraprocessados.
Alimento ultraprocessado é o nome dado a produtos feitos, quase em sua totalidade, de substâncias extraídas de alimentos e outras substâncias artificiais.
Ao alternar entre as duas dietas, cada participante acabou funcionando com seu próprio grupo de controle.
Resultados e Saúde Mental
A pesquisa, publicada nesta quarta-feira no periódico Jama Psychiatry, mostrou uma queda considerável nos índices de depressão e ansiedade.
Para a pesquisa, foram recrutados adultos com idade entre 18 e 80 anos que tinham um diagnóstico primário de depressão, obtiveram pontuação alta suficiente em um questionário padrão de depressão e consumiam muitos alimentos ultraprocessados, com base em uma ferramenta de triagem projetada para medir isso.
Além disso, todos tinham algum problema metabólico ou comorbidade: todos os 20 participantes apresentavam sobrepeso e aproximadamente metade deles também tinha pressão alta.
Quase dois terços estavam tomando pelo menos um medicamento psiquiátrico, cerca de um terço não tomava nenhum e quase metade estava em terapia.
Impacto da Dieta no Bem-Estar
Ao decorrer das semanas, quem seguiu a dieta com menos ultraprocessados mostrou índices significativamente menores de depressão e ansiedade.
Em uma escala padrão de depressão, as pontuações caíram de um valor basal de 21,6 para cerca de 8 com a nova dieta, em comparação com cerca de 19 com a dieta regular.
Hipóteses sobre a Melhora
Embora os cientistas tenham conseguido mostrar uma relação entre o consumo desse tipo de alimento e a saúde mental, não foi possível descobrir por que esse movimento acontece.
Algumas hipóteses que circulam incluem a queda no consumo de açúcar e gorduras, ou a menor ingestão de calorias, no geral. Por outro lado, teorias buscam respostas no próprio processamento, como conservantes, aromatizantes artificiais ou outros aditivos.






