??ºC Tempo Cuiabá-MT Cuiabá-MT

23 de agosto de 2026

pt-br

Cientistas fazem proteína de feijão carioca para substituir soja em alimentos

GERAL Feijão 23/08/2026 18:12 Marta Cavallini - Agência SP agenciasp.sp.gov.br

Nova tecnologia cria proteína a partir de grãos quebrados de feijão, que antes eram jogados fora. Ingrediente pode ser usado em pós instantâneos, snacks e bebidas, trazendo mais proteína e menos impacto para o meio ambiente.

O feijão carioca, mais consumido no Brasil, vai virar ingrediente de alimentos industrializados. Cientistas criaram uma proteína concentrada a partir de grãos quebrados e que eram desvalorizados durante o processo de beneficiamento.

Essa nova proteína, desenvolvida no Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) em Campinas, com apoio da FAPESP, vai ajudar a redução da dependência da indústria de proteínas importadas, como as de soja e ervilha.

  • A proteína é de origem 100% brasileira.
  • Usa um processo mais limpo que não tem solventes químicos.
  • Reduz 95% das substâncias que podem causar desconfortos digestivos.
  • Tem todos os amino ácidos essenciais, tudo.
  • Já está sendo testada em escala industrial.

Os cientistas só queriam aproveitar um produto natural do Brasil. Como o país é grande produtor de feijão carioca, pensou-se em usá-lo como matéria-prima para um ingrediente alimentício ultra-gostoso.

A pesquisa começou em 2021 na chamada Plataforma de Ingredientes Resultados, com participação da USP e Unicamp, além de nove empresas. Nesses anos, já foram criados mais de 30 ingredientes.

O Brasil é o segundo maior produtor de feijão. A carioca é o tipo mais popular, com mais da metade da produção. No processo de limpeza, fica de 1% a 5% de grão partido, que não vai para o consumo.

Tivemos a ideia de dar uma utilidade para esse restinho, contou a pesquisadora Isabela Emiliorelli.

Processo mais ecológico

A receita é chamada de fracionamento a seco. Diferente de muitos métodos, ele não usa solventes e gasta bem menos água e energia.

O feijão é moído e vira a farinha. Depois, em uma máquina, a farinha é separada em duas partes: uma rica em amido e outra em proteínas, assim, aproveita também a parte de amido no fabricação.

Essa parte proteica alcança 40% a 50% de proteína. E ainda tem todos os 20 aminoácidos essenciais, revelou o laboratório. Isso é raro no mundo vegetal.

As proteínas vegetais geralmente têm um ou dois aminoácidos faltando. Aqui não falta nenhum, disse a coordenadora do projeto, a Dra. Sonia.

Com um tratamento porqueil passou para reduzir os fatores antinutricionais, como aqueles que atrapalham a absorção de nutrientes. Isso melhora a digestibilidade, que fica acima de 60%.

E tudo isso sem aquele gosto de feijão e nem cor escura. O novo produto tem sabor neutro e é bem claro, facilitando a aceitação e maternização.

Possíveis usos

Uma produção de baixo custo já virou pó de maça instantâneo, como um cappuccino de feijão sem açúcar com 5 g de proteína por copo.

Também foram feitos pós instantâneos com frutas tropicais, como manga e maracatá, e que formam fermentados sem corantes.

Já a parte ilhas, que ainda tem 10% a 20% de proteína, virou base para salgadinhos como snacks deste tipo, em três sabores para aproveitar tudo daquele feijão.

As tecnologias serão vendidas para as indústrias, mas em primeira mão, as empresas que fazem parte da plataforma poderão licenciar a técnica, e se não quiserem, qualquer outra empresa pode usar.

Esse projeto já está em fase de teste final em uma indústria parceira, valendo passando dose, já está na escala industrial.

A plataforma nos uniu com parceiros para criar a ciência juntos. Isso possibilitou inovar muito mais do que os projetos isolados, avaliou a pesquisadora Maria Teresa Bertollo.


Newsletter