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17 de outubro de 2026

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CULTURA

Mulheres precisam se vestir como homens para ter poder?

CULTURA Gênero 17/10/2026 15:48 Talita Souza · Jovem Pan jovempan.com.br

Análise explica por que a roupa feminina é vista como sinal de fragilidade e como os trajes masculinos, como ternos, se tornaram o uniforme da autoridade no mundo corporativo e político.

Diario Flip

Por que, na política, as mulheres precisam estar vestidas como homens para serem respeitadas Aliás, não só na política, mas como em qualquer espaço de poder

Depois de ler o livro "Mulher, roupa, trabalho: como se veste a desigualdade de gênero", nunca mais observei essa questão da mesma maneira. Passei a notar o quanto mulheres que "chegaram lá" precisaram incorporar códigos masculinos, não só na maneira de se vestir, mas também de se portar.

  • O terno é o primeiro traje que associamos a cargos de liderança, mas sua origem é masculina.
  • Para ser levada a sério, a mulher muitas vezes precisa suprimir a feminilidade.
  • Existe uma dedicação extra à produção feminina, como maquiagem e cabelo.
  • A sociedade julga a mulher tanto por ser "demais feminina" quanto por não ser suficientemente masculina.
  • A roupa funciona como uma chave de acesso a espaços históricos de exclusão masculina.

A roupa como código de autoridade

O exemplo mais emblemático disso é a ex-presidenta Dilma Rousseff, com seus ternos bem cortados e a voz impostada. Mas essa adaptação não se restringe às mulheres que ocupam cargos de liderança. Também a vejo naquelas que, mesmo tendo um estilo mais feminino, que privilegia tons claros, estampas florais e cortes fluidos, recorrem ao clássico terninho neutro quando precisam transmitir autoridade e conquistar respeito.

O terno, inclusive, é a primeira roupa que vem à nossa mente quando pensamos no ambiente de trabalho. Ele é originalmente masculino, mas foi adaptado ao feminino com cortes que não marcam o corpo ou em cores sóbrias. É como se, para que nossa mente finalmente tivesse espaço, precisássemos nos afastar de um lugar ao qual fomos historicamente reduzidas: o de corpo.

A construção histórica da fragilidade

Um espaço criado desde a Idade Moderna, quando a medicina e o pensamento filosófico passaram a explicar as diferenças de gênero a partir da anatomia e da fisiologia, usando o corpo feminino como justificativa para sua suposta fragilidade moral, intelectual e emocional.

Foi quando resolvemos ocupar os espaços de trabalho, com muita insistência, que a roupa se tornou um meio de acesso a um lugar que, teoricamente, não nos pertence. Enquanto isso, peças consideradas exclusivamente femininas e que são permitidas no ambiente de trabalho são as mais desconfortáveis possíveis: saias e saltos.

A contradição da aparência

O trabalho ainda não terminou. Existe toda uma dedicação a mais por trás da produção feminina, que inclui maquiagem e cabelo que demora mais pra ser arrumado. No final, uma contradição: a mulher precisa se distanciar dos sinais que a sociedade associa à feminilidade para ser levada a sério, mas também é julgada quando não corresponde às expectativas sobre como uma mulher deve se apresentar.

O problema não é o terno, o salto, a saia ou a maquiagem. É o fato de que, se para ocupar um espaço de poder uma mulher precisa esconder parte de quem é, será que esse espaço realmente se tornou dela


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